domingo, 1 de novembro de 2009

recomeço, bem-vinda nova Roda


Milagres do povo, Caetano Veloso

Quem é ateu e viu milagres como eu
Sabe que os deuses sem Deus
Não cessam de brotar, nem cansam de esperar
E o coração que é soberano e que é senhor
Não cabe na escravidão, não cabe no seu não
Não cabe em si de tanto sim
É pura dança e sexo e glória, e paira para além da história

Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Xangô manda chamar Obatalá guia
Mamãe Oxum chora lagrimalegria
Pétalas de Iemanjá Iansã-Oiá ia
Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Obá

É no xaréu que brilha a prata luz do céu
E o povo negro entendeu que o grande vencedor
Se ergue além da dor
Tudo chegou sobrevivente num navio
Quem descobriu o Brasil?
Foi o negro que viu a crueldade bem de frente
E ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente

Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Transgênicos




Na era da informação, só permanece na ignorância quem quer.

Um debate acirrado com uma amiga despertou uma gigantesca curiosidade acerca dos transgênicos...
Encontrei esse artigo, que, além de outras coisas, explica as formas de contágio.

Pesquisar é preciso, e isso é incontestável.
Agora é certo que não temos pesquisas seguras, até porque as pesquisas usadas como parâmetro para a criação das leis, foram desenvolvidas pela Monsanto, empresa "dona" da tecnologia no Brasil (a que recebe os royalties pelo uso da transgenia).
Ou seja, as únicas pesquisas que indicam o beneficio dos transgênicos foram desenvolvidas pela Monsanto, ao passo que as pesquisas que indicam os malefícios da transgenia foram completamente ignoradas.
Sabemos que temos um Congresso Nacional onde 70% dos senadores e deputados, de alguma forma, são produtores rurais (latifundiários), essa política da transgenia é voltada para os grandes produtores, porém, no Brasil a maioria dos alimentos são produzidos por meio da agricultura familiar.
Já deu pra perceber por onde a banda toca né? Tem muita gente lucrando com isso, e gente que já lucra muito destruindo o Brasil.

Os ditos "países em ascensão" são os principais produtores (Brasil, China, Mexico, India e Africa do Sul), desejam "subir" o degrau da economia a qualquer custo, ainda que tenha que se pagar com a saúde de suas populações.
O México, por exemplo, é conhecido no cenário internacional como "depósito dos EUA", é para lá que os norte americanos mandam suas indústrias poluentes, e todo o lixo que não querem mais por perto.
Os EUA é um dos maiores defensores da transgenia, não é a toa que Monsanto é de lá (empresa criada em 1901 por John F. Queeny).
O México está cada vez menor para suportar o lixo americano, mas agora eles tem o Brasil, a India, a China e etc. dispostos (como o México fez um dia), a qualquer preço entrarem no restrito grupo dos países desenvolvidos...
O que nós não percebemos, e aí invoco a história que corre a meu lado, é que a política mexicana de "subir a qualquer preço" os deixaram estagnados, serviram aos interesses norte americanos e o retorno foi terrível (aumento da criminalidade pois as cidades cresceram desordenadamente sem qualquer política pública de inclusão, poluição exacerbada, doenças, é um país politicamente sem representatividade no cenário internacional).

Caminhamos para o desastre, ao invés de nos ocuparmos com tecnologias que melhorem de fato o uso da terra, a distribuição de renda e criação de postos de emprego, nos preocupamos com tecnologias que só servirão para enriquecer mais os que já são ricos, destruir a agricultura familiar (que não terá como competir), extirpar empregos no campo e a conseqüente poluição do meio ambiente.
Como consumidora me sinto lesada, pois hoje a maioria dos alimentos ou são de procedência desconhecida (não sabe se são feitos com alimentos transgênicos - boa desculpa né?) ou contém a transgenia, e isso não é passado nas embalagens (também, de que adiantaria? Todos teriam que colocar o selo na embalagem, não sobraria quase nada aos que não se sujeitam a servir de cobaias para a Monsanto).

Sou ambientalista consciente, produtora rural (caminhando rumo aos orgânicos), futura advogada e digo NÃO A PRODUÇÃO DE TRANSGÊNICOS. DA MANEIRA COM O É FEITO NÃO DÁ.

Fora consumismo. Fora pesquisas compradas. Fora desinformação.
Fora capitalismo selvagem que impulsiona esse tipo de pesquisa.

Um salve a natureza!
Como ela é. Perfeita.



Escrito por Radioagência NP


O uso de transgênicos pode ser a solução para acabar com a fome no mundo. A idéia foi defendida pelo vice-presidente da Monsanto, Jerry Steiner, em entrevista recentemente concedida ao jornal espanhol El País. O empresário defende a imagem da empresa, afirmando que a Monsanto é uma entidade preocupada com o meio ambiente e ressalta que os agricultores de todo mundo utilizam as sementes transgênicas por opção e não porque são forçados a isso.

Em entrevista à Radioagência NP, dois especialistas no assunto respondem sobre alguns mitos dos transgênicos utilizando como base as repostas dadas por Jerry Steiner. O assessor técnico da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (Aspta), Gabriel Fernandes, e o professor do instituto de sociologia da Universidade Johannes-Kepler de Linz (Áustria), Antonio Andrioli, tiveram a missão de rebater os argumentos dados pelo empresário.

O vice-presidente, Jerry Steiner, introduz a conversa falando dos transgênicos como solução para o combate a fome no mundo. O que você tem a dizer sobre isso?

Antonio Andrioli – Bom, esse argumento não é nada novo. Em primeiro lugar é preciso dizer que nunca esteve nos objetivos dessas empresas, como a Monsanto, o combate à fome. Nós temos, no debate sobre a fome, uma clara evidência de que não se trata de um problema técnico e sim distributivo. Ou seja, nós temos uma produção de alimentos no mundo superior às pessoas que comem, mesmo assim nós temos em torno de 900 milhões de pessoas passando fome porque o acesso a esses alimentos é dificultado pela lógica do mercado. Esse acesso tem sido dificultado inclusive pela introdução dos transgênicos, visto que com eles, há uma necessidade de os agricultores aumentarem sua área de cultivo para compensar os altos custos e a baixa produtividade destes cultivos. Então, nesse sentido nós temos uma eliminação dos pequenos agricultores, responsáveis por 70% da produção mundial de alimentos (para consumo humano). Então não é um problema de baixa produtividade, e mesmo que fosse esse o problema, todos os transgênicos que existem hoje no mundo não são mais produtivos que os cultivos convencionais.

Apesar de a semente transgênica ser mais cara para o agricultor, Steiner diz que compensa, já que, depois, o rendimento dessas sementes seria melhor. Você concorda?

Gabriel Fernandes - Não. Isso na verdade faz parte da propaganda das empresas. Nós que acompanhamos essa discussão há algum tempo, vemos que as principais promessas que a indústria da transgenia faz até hoje não foram verificadas a campo. Elas dizem que vão reduzir o uso de agrotóxicos e, na verdade, o que os dados comprovam é que aumenta o uso de veneno. Elas falam que a produção vai aumentar e os vários estudos, pesquisas, inclusive as evidências de campo, mostram que os transgênicos não produzem mais. Então, o que esse modelo de agricultura vai fazer na verdade é deixar os agricultores cada vez mais dependentes dessas poucas empresas, a Monsanto e mais umas três ou quatro. É um modelo que não vai resolver o problema da fome, pelo contrário, ele vai criar mais problema no campo por cada vez mais reduzir a autonomia dos agricultores. Se os agricultores dependem das sementes que essas empresas fornecem, eles acabam dependendo também do pacote tecnológico inteiro, ou seja, de todos os insumos, os agrotóxicos e os adubos, porque as sementes transgênicas são modificadas em laboratório exatamente para amarrar cada vez mais essa dependência entre as sementes e os insumos.

Jerry Steiner afirma que a Monsanto sempre trabalha de modo que os agricultores tenham a opção de escolha e utilizam a semente transgênica porque querem. O que você tem a dizer sobre isso?

Andrioli – Não é possível a coexistência de cultivos transgênicos com não-transgênicos. Isso é mais complicado ainda em plantas de polinização aberta, como é o caso do milho, e menos complicado no caso da soja. Mas nós tivemos, mesmo com a soja, a contaminação. Nós sabemos que ela existe, desde o transporte até o uso da mesma semeadeira, e também em função da estrutura agrária para os pequenos agricultores que têm uma área muito próxima um do outro (a plantação transgênica acaba contaminando a vizinha). E o que nós vemos no mundo inteiro é que há um aumento dos cultivos transgênicos, em primeiro lugar por esse fator da contaminação.
Nós temos o México onde isso é muito claro. Nós temos uma proibição do milho transgênico no país onde surgiu o milho. Então no mundo inteiro nós vemos que não é possível a coexistência e, sendo assim, os agricultores que cultivam de forma orgânica têm sido obrigados a migrar para o transgênico em função da contaminação que ocorreu.

Steiner também afirma que os transgênicos reduzem a necessidade de utilização de agrotóxicos.

Andrioli – Nós sabemos que nos primeiros anos de cultivo das plantas resistentes a herbicida, nós utilizamos apenas um princípio ativo, que no caso é o glifosato, cuja marca comercial se chama Roundup. É claro então que nos primeiros anos, nós utilizamos menos, mesmo porque se trata de um produto que agora está sendo usado em substituição a outros produtos que já haviam gerado uma resistência em determinados índices. Só que o mesmo fenômeno que já tinha acontecido com as outras plantas invasoras, agora acontece com o glifosato e numa proporção muito maior e numa velocidade muito mais rápida, porque estamos utilizando apenas um princípio ativo. E nós sabemos, do ponto de vista da biologia, que se utilizarmos apenas um princípio ativo e nas doses em que se está utilizando, vai se gerar uma resistência, e isso faz com que no segundo e terceiro anos, os agricultores tenham que utilizar maiores doses do herbicida. E hoje nós temos no Rio Grande do Sul, por exemplo, segundo o Ibama, 85% a mais de aplicação de herbicidas do que anteriormente.

Nós sabemos que a ocupação de um território com o cultivo de apenas uma espécie de semente acaba com a diversidade e provoca o surgimento de novas pragas. Cite um exemplo de onde isso ocorreu.

Andrioli – Vou dar um exemplo claro de como se produz uma praga. Existe no Brasil um inseto chamado Lágria Villosa, popularmente conhecido como idi-amim. Esse inseto comia várias plantas, por exemplo, uma chamada caruru que os agricultores sabiam muito bem que não deveriam carpiná-la fora, ou na aplicação de herbicida, deveria evitar-se que essa planta fosse destruída porque o idi-amim a comia. Agora com o glifosato, nós estamos eliminando a maioria das plantas e deixando somente a soja. É claro que esse inseto vai começar a atacar a soja. É o que está acontecendo em função da uniformização. Ao achar que numa plantação se deve ter apenas soja, nós estamos produzindo novas pragas.

O que é a semente terminator? Qual seria a vantagem de plantá-la?

Gabriel F.– Vantagem não tem nenhuma, pelo contrário. Apenas riscos e danos. Terminator é um tipo de semente transgênica que além de ter a característica da transgenia, como a resistência a herbicida ou resistência a algum inseto, ela também foi geneticamente modificada para não germinar. Então, esse seria o controle absoluto das empresas sobre as sementes. O agricultor compra a semente transgênica uma vez, planta e se ele colher para plantar de novo, essas mesmas sementes não germinarão. Seria uma forma biológica de impedir o agricultor de fazer aquilo que os agricultores sempre fizeram que é plantar, colher, selecionar as melhores sementes e plantar no ano seguinte. Então, isso mostra qual é o grande objetivo das empresas, que é de conquistar essa dependência dos agricultores, fazer com que eles fiquem cada vez mais dependentes das sementes das empresas. Essas sementes terminators não estão liberadas em nenhum país do mundo. Elas não podem ser plantadas e a legislação no Brasil proíbe. Elas não foram testadas a campo. É um projeto que as empresas têm e segue engavetado, mas acreditamos que quando elas sentirem que o ambiente está favorável, vão tentar pedir sua aprovação. Por enquanto isso não pode ser comercializado.

O representante da Monsanto fala também que os países subdesenvolvidos são cada vez mais usados para testar a plantação de cultivos transgênicos. Isso é verdade?

Gabriel F.– Tem alguns países que sim, por exemplo, na África. A África do Sul, por mais que não seja o país mais pobre do continente, serve como uma vitrine da transgenia para o resto do continente. As empresas têm na África do Sul uma série de plantios experimentais, parcerias com empresas e universidades, para mostrar ali, do ponto de vista deles, que a tecnologia é viável e usar isso como se fosse uma porta de entrada para o restante do continente. Na América Central, também tem alguns países que pelas características ambientais, de clima e tudo, recebem uma quantidade muito grande de experimentos. As empresas conseguem cultivar os transgênicos o ano inteiro, fazendo as experiências e depois exportam isso para outros países.


_________________________________________________

Por Raquel Salgado

Quem diria: os ganhos obtidos com a soja transgênica agora são menores do que os proporcionados pelo grão natural

Há quinze anos, o surgimento da soja transgênica deu início a uma revolução agrícola comparável à da década de 50, quando os agrotóxicos foram introduzidos e triplicaram a produção mundial de grãos. Para desenvolver a semente geneticamente modificada, a empresa americana Monsanto introduziu no DNA da soja um gene de bactéria resistente ao glifosato, um herbicida tão potente que dispensava a aplicação de outros agrotóxicos. Ao reduzir a necessidade de aplicação de defensivos, muito caros e nocivos à saúde, a soja transgênica mostrou-se muito mais rentável do que a natural. Essa semente chegou ao Brasil de forma ilegal em 1995. Oito anos depois, seu plantio foi autorizado pelo governo. Como a soja transgênica era mais lucrativa (veja o quadro), vários especialistas previram que ela varreria a cultura tradicional do país, como já havia acontecido nos Estados Unidos e na Argentina, os dois maiores produtores mundiais, juntamente com o Brasil. De fato, ela responde, hoje, por 58% da safra nacional. Mas, agora, apareceram entraves que ameaçam a sua expansão.

O primeiro deles é a disseminação de ervas daninhas resistentes ao glifosato. Elas reduzem a produtividade da lavoura, porque concorrem com a soja na busca de nutrientes e luz solar. Quatro anos atrás, tais pragas começaram a se espalhar pelos Estados Unidos e pela Argentina. Há duas safras, passaram a se alastrar pelas plantações brasileiras. Pelo menos quatro tipos de ervas daninhas já empesteiam os campos do país. Para evitá-las, os agricultores deveriam ter feito rodízios de cultura. Não o fizeram simplesmente porque não foram orientados adequadamente. Agora, para eliminá-las, precisam combinar o glifosato com outros agrotóxicos. “O resultado é que, nas áreas mais atingidas pelas pragas, como o norte do Rio Grande do Sul e o oeste do Paraná, o custo de produção desses grãos já é equivalente ao da soja convencional, pela qual se obtém um valor melhor no mercado”, diz Fernando Adegas, pesquisador da área de soja da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Esse é o segundo problema da soja transgênica no país. A Europa, um dos maiores mercados para o grão, prefere o natural. Países como Alemanha, Noruega, Bélgica e Finlândia não importam produtos oriundos de sementes geneticamente modificadas e têm-se disposto a pagar mais pela soja convencional, agora restrita a 13% da produção mundial. Atualmente, o único fornecedor em larga escala do produto é o Brasil. “Na Europa, cada tonelada de soja sem transgenia recebe um prêmio de 40 dólares. Metade deles acaba no bolso dos agricultores”, afirma José Enrique Marti Traver, diretor da Imcopa, empresa que beneficia e revende apenas derivados de sementes convencionais. Os europeus recusam a soja transgênica e outras sementes geneticamente modificadas por mera superstição. Acham que alimentos produzidos a partir deles podem fazer mal à saúde, embora nenhuma pesquisa científica, até o momento, tenha comprovado essa crendice. No mercado interno, a irracionalidade também tem encontrado um terreno fértil. Várias indústrias alimentícias, muitas delas multinacionais, deixaram de comprar não apenas soja transgênica, como também o milho geneticamente modificado, que começou a ser colhido no país na safra deste ano.

Apesar da rejeição, a Monsanto mantém o ritmo de suas pesquisas. Até 2012, o gigante americano pretende lançar no Brasil mais uma variedade de soja transgênica, que combinará a resistência ao glifosato com o combate às lagartas da soja. Os bichos morrerão se comerem a planta originada dessa semente. O novo grão, contudo, não conterá nenhuma defesa adicional contra as ervas daninhas que já assolam as culturas. A Monsanto acredita que a solução para esse problema depende apenas de uma mudança de comportamento dos agricultores. “É preciso que eles intercalem o plantio da soja transgênica com o de milho e demais culturas, para evitar que essas pragas se espalhem. As ervas daninhas que proliferam com a soja não convivem com outros grãos”, diz o gerente de segurança de produto da empresa, Luciano Fonseca. Com um aumento de mais de 50% no preço da soja nos últimos quatro anos, os agricultores brasileiros ainda resistem a fazer essa rotação, que, aliás, é indicada para qualquer tipo de lavoura. Em vez disso, alguns já substituem a soja geneticamente modificada pela convencional, para aproveitar os melhores preços pagos pelo produto. Com superstição ou não, é o mercado que comanda.

Fonte: publicada pela revista Veja em 12-08-2009.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009




Índio - Filho da Mata
[Célia Mara]

Eu sou filho do mato
Apostei no meu arco
Sou uma flor de riacho
Gavião de penacho
Sou de dentro do mato
Terra mãe me criou

Sou da tribo derradeira
A quem bala de cartucheira
Persegui e matou
E feriu seu andor

Não me tome o tacape
Nem a cor dos cocares
Nem o tom dos luares
Dos lugares por onde vou

Não me tome o tacape
Nem a cor dos cocares
Nem o tom dos luares
Dos lugares por onde vou florar
Afora

Toda vida que se encerra
No seio dessa terra
Sempre foi de índio

A pintura na cara
A pureza da fala
Eu sou e vim pra ser índio
Eu sou índio



terça-feira, 22 de setembro de 2009

Rainha
[[ Dea Trancoso ]]

Eu nasci lá na mata da Jurema

Chamei cedo o seu nome

Ó Rainha que atendeu


Já dormi lá beira do seu rio

Me abriguei sobre o seu manto

Ó Rainha que atendeu


Acordei lá na beira do seu rio

Caminhei sobre o seu manto

Ó Rainha que atendeu


Eu já vi maravilhas do sol posto

Mas não sei qual o seu rosto

Ó Rainha que atendeu

O som do Legião ecoou por toda a esplanada, invadiu as sacadas próximas e os corações mais distantes...


Giz

Legião Urbana

[[Renato Russo/Dado Villa-Lobos/Marcelo Bonfá]]

E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero
Quando quero

Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
E, pra ser honesto,
Só um pouquinho infeliz

Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo:
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei

(Quando quero....
Quando quero...
Quando quero...
Eu rabisco o sol que a chuva apagou...
Acho que estou gostando de alguém...)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

paradas não conquistamos nada

Poemas aos Homens do nosso Tempo

de Hilda Hilst

Amada vida, minha morte demora.

Dizer que coisa ao homem,

Propor que viagem? Reis, ministros

E todos vós, políticos,

Que palavra além de ouro e treva

Fica em vossos ouvidos?

Além de vossa RAPACIDADE

O que sabeis

Da alma dos homens?

Ouro, conquista, lucro, logro

E os nossos ossos

E o sangue das gentes

E a vida dos homens

Entre os vossos dentes.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Conto de fadas para mulheres do séc. 21


Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: - Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...
E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: - Nem fo....den...do!

Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

o alcance da liberdade...

[taquaras city]

Violeta

Sempre teu lábio severo
Me chama de borboleta!
- Se eu deixo as rosas do prado
É só por ti - violeta!

Tu és formosa e modesta,
As outras são tão vaidosas!
Embora vivas na sombra
Amo-te mais do que às rosas.

A borboleta travessa
Vive de sol e de flores...
- Eu quero o sol de teus olhos,
O néctar dos teus amores!

Cativo de teu perfume
Não mais serei borboleta;
- Deixa eu durmir no teu seio,
Dá-me o teu mel - violeta!

sábado, 15 de agosto de 2009


morcego,
ratazana,
baratinha
e companhia,
está na hora da...
feitiçaria!